A síndrome de fibromialgia é uma forma freqüente de dores musculares e cansaço que
afeta aproximadamente 3,7 milhões de americanos (1998). No Brasil ainda não existe
levantamento oficial, mas estima-se que mais de 50%
da população possa desenvolver esta síndrome.
O nome FIBROMIALGIA significa dores nos músculos e
tecidos conectivos fibrosos (ligamentos e tendões). Esta condição é considerada uma
síndrome porque abrange um conjunto de sinais e sintomas que podem ocorrer
simultaneamente em diferentes doenças. OS SINAIS se referem aos achados
físicos que o médico encontra quando examina o paciente, enquanto que os
SINTOMAS se relacionam às queixas relatadas durante a entrevista. Fibromialgia é
freqüentemente confundida e pouco entendida já que vários de seus sintomas podem ser
encontrados em outras patologias. O termo fibrosite foi usado para descrever esta mesma
condição. Itis significa inflamação - um processo que pode desencadear dor, calor,
inchaço, vermelhidão e rigidez. Como os investigadores descobriram que a inflamação
não é um fato importante nessa condição, o termo fibromialgia tornou-se rnais correto
e substituiu o velho termo fibrosite.
Fibromialgia afeta principalmente músculos e seus
locais de fixação nos ossos. Embora se manifeste como uma doença articular, ela não é
inflamatória (artrite) e não causa deformidade nas juntas. Fibromialgia é, ao invés,
uma forma de reumatismo de tecidos moles ou muscular. A palavra reumatismo se refere a dor
e rigidez associadas às juntas, músculos e ossos.
A síndrome de fibromialgia não apresenta
alterações laboratoriais. Por isso, seu diagnóstico depende principalmente das queixas
ou sensações que o paciente relata. Algumas pessoas podem olhar estes sintomas como
imaginários ou desprezíveis.
Durante os últimos 10 anos, entretanto, a
fibromialgia tem sido melhor definida através de estudos que estabeleceram regras para
seu diagnóstico. Esses estudos demonstram que certos sintomas como dores musculares
generalizadas e pontos dolorosos específicos estão presentes em pessoas com fibromialgia
e que não são comuns em pessoas sadias e com outros tipos de reumatismo. Esses aspectos
separam a fibromialgia de outras condições que se apresentam com dores ósseas e
musculares crônicas.
SINAIS
E SINTOMAS
- Dor
A dor é o sintoma mais importante na fibromialgia.
Ela geralmente é sentida em todo o corpo, embora possa começar em uma região, como
pescoço ou ombro, e se espalhar para outras áreas após algum tempo. A dor em
fibromialgia tem sido descrita de várias maneiras, dentre as quais ardência, incômodo,
rigidez e fisgadas. Geralmente varia com a hora do dia, tipo de atividade, clima, padrão
de sono e estresse. A maioria das pessoas com fibromialgia dizem que sempre sentem um
pouco de dor. Elas sentem dor principalmente nos músculos e dizem ter a sensação de
como se estivesse constantemente gripadas. Para algumas pessoas com fibromialgia, a dor
pode ser severa.
Embora o exame físico geral seja usualmente normal e
essas pessoas pareçam sadias, um exame cuidadoso de seus músculos revela áreas bastante
sensíveis em determinados locais (veja a figura). A presença e padrão desses
característicos pontos sensíveis com sintomatologia de dor distingue a fibromialgia de
outras condições. Nem todos os médicos estão familiarizados com essa síndrome, mas a
maioria dos reumatologistas sabem como avaliar um ponto dolorido e relacioná-lo ao
diagnóstico.

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Os círculos desta figura
indicam as várias localizações dos pontos sensíveis. Pessoas com fibromialgia reagem
com dor quando se pressiona muitos desses locais. |
As áreas doloridas na fibromialgia são similares em localização às áreas de outros
tipos comuns de dores ósseas e musculares como cotovelo de tenista, bursite
trocanteriana, etc. Os pontos doloridos da fibromialgia tendem a estar presentes em ambos
os lados e em diferentes locais. Embora os pontos ilustrados acima sejam usados para
diagnóstico, muitos outros pontos musculares e de tecidos moles podem ser excessivamente
sensíveis. Você pode não estar ciente da exata localização desses pontos sensíveis
até o momento em que eles sejam especificamente pesquisados durante um exame médico.
- Fadiga e
Distúrbios do Sono
Cerca de 90 % das pessoas
com fibromialgia sentem uma fadiga de moderada a severa, com perda da energia,
diminuição da resistência aos exercícios, ou um cansaço semelhante àquele resultante
de uma gripe ou perda de sono. Algumas vezes a fadiga é um problema maior do que a dor.
Pessoas com fibromialgia podem ter uma fadiga semelhante à de outra condição chamada
Síndrome da Fadiga Crônica (SFC). Algumas pessoas com fibromialgia têm sintomas de SFC
e vice versa. Por exemplo, muitas pessoas com SFC têm pontos sensíveis e sintomas
semelhantes aos daqueles com fibromialgia. Pelo fato de existir uma superposição entre
essas duas síndromes comuns, às vezes não é possível separar essas duas condições.
Um médico pode dar um diagnóstico de fibromialgia enquanto outro pode chamar a mesma
condição de síndrome da fadiga crônica.
Muitas pessoas com fibromialgia experimentam um
distúrbio do sono, em que elas não acordam aliviadas mas sentindo-se cansadas. Embora
você possa ser capaz de ficar acordado sem grandes dificuldades, o estágio de sono
profundo pode estar interrompido. Você pode dormir superficialmente e acordar durante a
noite. Outros distúrbios do sono, incluindo apnéia, mioclonia, e síndrome da perna
cansada são também comuns. Pesquisas têm mostrado que uma ruptura do sono profundo
altera muitas funções cruciais do organismo, como a percepção da dor.
- Sintomas
do Sistema Nervoso
Mudanças no humor e na maneira de pensar são comuns na fibromialgia. Muitos indivíduos
sentem-se desanimadas, embora apenas 25% estejam verdadeiramente deprimidos. Algumas
pessoas também manifestam ansiedade. Por esse motivo existem pesquisadores que pensam
poder haver relação entre a fibromialgia e algumas formas de depressão e de ansiedades
crônicas. É importante lembrar que pessoas com outras doenças crônicas que não a
fibromialgia também podem sentir depressão quando enfrentam dificuldades para amenizar
seus sintomas.
Pessoas com fibromialgia podem referir diminuição
na capacidade de se concentrar e de executar tarefas comuns. Não há evidências de que
esses problemas se tornem mais sérios com o decorrer do tempo. Problemas semelhantes são
também observados em outras pessoas com alterações do humor, distúrbios do sono ou
outras doenças crônicas.
Algumas pessoas com fibromialgia podem também sentir
dormência e fisgadas nas mãos, braços, pés, pernas ou na face. Essas sensações podem
sugerir outras desordens como síndrome do túnel do carpo, neurites ou até esclerose
múltipla. Por isso pessoas com fibromialgia freqüentemente se submetem a diferentes
exames para pesquisar outros diagnósticos e verificam que os resultados dos testes são
normais.
- Outros
Problemas
Cefaléias especialmente de tensão e enxaquecas são comuns na fibromialgia. Dor
abdominal, inchaço, constipação alternando-se com diarréia (cólon espástico ou
cólon irritável) são também comuns. Da mesma maneira espasmos semelhantes e
irritabilidade na bexiga, podem causar urgência e aumento da freqüência urinária. A
pele e a circulação sangüínea quando sensíveis às mudanças de temperatura acarretam
modificações temporárias na coloração da pele.
COMO
DIAGNOSTICAR A FIBROMIALGIA ?
O diagnóstico de fibromialgia se baseia nas queixas de dores difusas associadas a
sensibilidade aumentada nas localizações específicas. Não existem exames específicos
laboratoriais ou radiológicos que permitam diagnosticar a fibromialgia. Estes testes
apenas ajudam quando definem outro diagnóstico e excluem a fibromialgia. Um exemplo é a
baixa do hormônio de tireóide que diagnostica o hipotireoidismo e que pode levar o
paciente a apresentar sintomas semelhantes aos da fibromialgia. Uma história e exame
físico cuidadosos podem afastar outras condições que também causam dor e fadiga
crônicas.
Pelo fato dos sintomas da fibromialgia serem
generalizados, inespecíficos e semelhantes ao de outras alterações médicas, muitas
pessoas se submetem a avaliações complicadas e repetidas antes de identificar que se
trata da fibromialgia. Como nem todos os médicos estão treinados para reconhecer essa
síndrome, torna-se importante procurar um especialista, o reumatologista ou outro médico
que esteja familiarizado com o diagnóstico e tratamento dessa condição.
CAUSAS
DA FIBROMIALGIA
Diferentes fatores, isolados ou combinados, podem desencadear a fibromialgia. Alguns tipos
de estresses como doenças, traumas emocionais ou físicos, mudanças hormonais, etc.,
podem gerar dores ou fadiga generalizadas que não melhoram com o descanso e que
caracterizam a fibromialgia.
Trauma físico ou emocional podem desencadear a
fibromialgia. Exemplificando: uma infecção, um episódio de gripe, ou um acidente de
carro, podem estimular o aparecimento dessa síndrome. Pessoas com fibromialgia podem
ficar inativas ou ansiosas sobre sua saúde, agravando essa condição. Pesquisas têm
também procurado o papel de certos hormônios ou produtos químicos orgânicos que possam
influenciar na manifestação da dor, no sono e no humor. Eventualmente, essas pesquisas
podem resultar em um melhor entendimento sobre a fibromialgia assim como em um tratamento
mais efetivo e até mesmo na prevenção.
TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA
As opções terapêuticas para a fibromialgia
incluem:
Medicações para diminuir a dor e melhorar o sono;
Programas de exercícios para fortalecer a musculatura e melhorar a aptidão
cardiovascular;
Técnicas de relaxamento e outras medidas para diminuir a tensão muscular;
Programas educativos para ajudar você a entender e manejar a fibromialgia.
Seu médico pode estabelecer um plano para atender
suas necessidades individuais. Algumas pessoas com fibromialgia podem ter sintomas
discretos e precisar de um tratamento menos demorado. Isso acontece principalmente quando
elas entendem melhor essa condição e identificam os farores que podem piorar a doença.
Muitas pessoas se beneficiam quando conseguem entender o programa terapêutico.
Medicações
Os antiinflamatórios comumente usados no tratamento
de muitos tipos de reumatismos, não surtem um resultado tão eficaz na fibromialgia.
Entretanto, modestas doses de aspirina, ibuprofen ou acetaminofen podem promover algum
alívio da dor. Estudos mostram que medicações do tipo: narcóticos, tranqüilizantes,
ou derivados de esteróides, são ineficazes e devem ser evitadas
por causa de seus efeitos colaterais.
Medicações que promovem sono profundo e relaxamento
muscular ajudam a muitas pessoas com fibromialgia a se sentirem mais descansadas. Essas
incluem a amitriptilina, a doxepina, a ciclobenzaprina além de outras medicações
inibidoras da recaptação de serotonina. Embora essas medicações também sejam usadas
para tratar diferentes tipos de depressão, elas são prescritas para pessoas com
fibromialgia em pequenas doses. No tratamento da fibromialgia, essas medicações são
usadas mais com o objetivo de aliviar a dor, relaxar os músculos e melhorar o sono, do
que especificamente para aliviar os sintomas de depressão.
Embora muitas pessoas possam melhorar o sono e sentir
menos desconforto quando tomam essas medicações, as variações individuais nos
resultados podem ser grandes. Além disso, algumas medicações podem gerar efeitos
colaterais como sonolência, constipação, boca seca e apetite aumentado. Estes efeitos
geralmente não são severos, mas podem causar perturbações e por isso limitar o uso
dessas drogas. Converse com seu médico se você tiver dúvidas sobre esse assunto.
Exercícios e Terapia Física
Dois grandes objetivos da fisioterapia no tratamento
da fibromialgia são: exercitar os músculos doloridos com exercícios de alongamento e
melhorar as condições cardiovasculares corn execícios aeróbicos. Muitas pessoas podem
participar de um programa de exercícios que promovam uma sensação de bem estar,
aumentando a resistência e diminuindo a dor. Exercícios aeróbicos têm beneficiado
pessoas com fibromialgia.
Você pode resistir a praticar exercícios quando
sente dor ou cansaço. Atividades aeróbicas que causam pouco impacto como caminhar, andar
de bicicleta, nadar e hidroginástica, são consideradas como a melhor escolha para se
iniciar um programa de exercicios. Faça uma avaliação com seu médico antes de iniciar
um programa e comece devagar. Uma sugestão é praticar exercícios regulares em dias
alternados, aumentando gradualmente suas atividades até atingir uma boa aptidão física.
Gentilmente estenda seus músculos e mova suas juntas
até um nível adequado, diariamente, assim como antes e após exercícios aeróbicos.
Você pode também consultar um fisioterapeuta para ajudar a estabelecer um programa
personalizado e específico para melhorar sua postura, flexibilidade e aptidão física.
ARTHRITIS FOUNDAT ION
'I'he Arthritis Foundation e uma entidade
americana que ajuda em média 43 milhões
de americanos que apresentam artrite e
outras condições reumáticas e músculo
esqueléticas. Essa fundação patrocina
pesquisas em busca de caminhos para curar
e prevenir artrites além de procurar melhorar
a qualidade de vida dos afetados por
problemas osteoarticulares.
Por se tratar de uma organização que não
visa lucro, The Arthritis Foundation conta
com contribuições para financiar pesquisas,
programas e serviços.
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Este texto é uma
tradução de uma brochura produzida pela Arthritis Foundation, 1330 West Peachtree
Street, Atlanta, GA, USA 30309. |
Tradução para o
português autorizada para Dra. Rejane Leal Araujo (Email:
rotolo@matrix.com.br)
e Sociedade Brasileira de Reumatologia. |
Apoio:
www.apsen.com.br
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